Quinta 6, 19h25. Uma luz refletida no computador rouba a minha concentração no texto que edito. Meio aborrecida, inclino a tela para um lado, para o outro, viro-a um pouco para cima, quem sabe para baixo... Nada: o brilho inconveniente continua sobreposto às minhas letras.
Já completamente injuriada, volto-me para a janela, mão estendida em direção à persiana. Meu impaciente movimento é congelado pela imponência alaranjada com que o pôr-do-sol banha o lado de lá do vidro. Numa fração de segundos, visito uma tarde igualmente laranja da minha infância; na boca, o sabor do doce de abóbora da minha mãe.
De olhos fixos na vida lá fora, passeio pela vida cá dentro. Findo o devaneio, sorrio para a Lana alaranjada refletida no vidro. Comungo com a luminosidade que minutos antes importunava. O universo tem mesmo essa mania de nos incomodar a fim de atrair nosso olhar para outras janelas. Você tem prestado atenção o suficiente às suas? Beijos enormes...