Você já parou para pensar que um casal só se torna família quando tem um flho? Pois bem, mais do que exames e testes, o pré-natal serve justamente para que os futuros papai e mamãe se adaptem, entendam e se acostumem com a idéia de que agora eles são uma família. "Por isso é tão importante que o parceiro acompanhe a mulher nas visitas ao médico", diz o obstetra Marco Aurélio Galletta, consultor do Instituto Família, em São Paulo. Afinal, hormônios alterados são sinal de gestante mais emotiva e estressada. "Com um bebê em seu ventre, não é só o corpo da mulher que muda, mas toda sua percepção de mundo", diz Galletta. "E que bom que isso acontece! Ela é mãe agora, deve mesmo pensar diferente", completa. Escolher um profissional paciente e que tire todas as dúvidas (sejam elas técnicas ou emocionais) é fundamental.
Cuidado com as crenças populares
-Uma gestante pode sim ter relações sexuais até um dia antes do parto (com orientação médica). Grávidas não precisam comer por dois!
-É natural que o apetite da mulher mude durante a gravidez e que ela tenha desejos incomuns, mas não sucumbir a eles em nada prejudica a criança.
-A não ser em casos especiais, uma gestante deve ter vida normal. E esforços físicos fazem parte dessa rotina. "A recomendação é seguir a consciência para não exagerar", alerta Galletta.
Guia do pré-natal
Na primeira consulta, o obstetra deve examinar por completo a paciente e perguntar TUDO sobre ela e o pai da criança. Seja sincera! Na certa o médico abordará:
● Tipos de preservativo que já usou
● Data da última menstruação
● Ocorrência de diabetes ou alguma doença congênita em ambas as famílias
● Histórico cardíaco, pulmonar e renal
● Gestações anteriores (abortos)
● Defeitos físicos ou mentais nas duas famílias.
Os principais exames
Sangue:
Hemograma completo verifica presença de rubéola, toxoplasmose, HIV, hepatites B e C, anemias ou infecções.
Parasitológico:
Verifica urina e fezes para identificar vermes que "roubam" sangue e alimento da gestante; infecção urinária.
Ultra-sonografia:
Permite que o feto seja visto antes mesmo de a mamãe senti-lo em seu ventre.
Translucência nucal:
Feita entre a 11a e a 13a semana de gestação, avalia o desenvolvimento do bebê e calcula o tempo de gestação. Além disso, detecta possíveis malformações como, por exemplo, a síndrome de Down.
Ultra-sonografia morfológica:
Realizada no segundo trimestre de gestação, analisa a anatomia do bebê.
*Adicionais:
Caso haja problemas em algum resultado, o médico pode pedir exames extras, tais como:
Amniocentese: Identifica doenças hereditárias, infecções e obtém análise cromossômica.
Dopplerfluxometria: Identifica insuficiência placentária, que prejudica a nutrição e a oxigenação fetal, comprometendo seu crescimento.
Biópsia de placenta: Usada como teste de paternidade, detecta malformações e doenças genéticas.
Chegou a hora
Você esperou nove meses pela estréia do pequeno. Agora, só falta escolher o melhor tipo de parto para recebê-lo
No início da gestação, tudo é novidade: desde o monte de informações e cuidados que, de repente, o casal precisa incluir em seu dia-a-dia, até aquela fotinho com o indescritível poder de "tornar real" a imagem do feto capturada pelo ultra-som. Não importa que mais ninguém - muitas vezes nem mesmo o pai! - identifique seu filho ali, você o vê nitidamente.
Nove meses depois...
Sentindo-se inchada, com quilos a mais e dificuldade até para assistir TV, não há mãe que não admita contar os minutos para o dia do parto. E, mesmo pensando bastante sobre o grande dia, sempre surge a dúvida: como eu quero que meu filho conheça este mundo? Pois bem, Viva! listou os principais tipos de parto para você escolher e, claro, dicas de como facilitar ao máximo este momento que, apesar de muito emocionante, não é para qualquer um. Aliás, é só para qualquer uma!
Como estimar o dia do parto
Os especialistas dizem que a concepção ocorre em torno do 14º dia de um ciclo normal de 28 dias. Considerando-se que a gestação normal dura 280 dias, você pode ter uma idéia aproximada da data do seu parto se subtrair 3 meses do dia do seu último ciclo menstrual e então somar 7 dias.
Cesárea ou parto normal?
"O parto normal é melhor para a mãe e para a criança", alerta o ginecologista-obstetra Marco Aurélio Galletta. "Na cesárea, quem dá à luz é o médico e não a mãe - que acaba não experimentando a gostosa sensação pelo nascimento do filho e a chance de assistir a este momento mágico", acrescenta. O médico explica que o trabalho de parto (chega a durar até 24 horas) é importante para a mãe perceber que, apesar de ter gerado aquela criança, não tem controle sobre ela. Ou seja: são nove meses para compreender que uma vida nascerá a partir da união de dois seres, e horas de esforço físico para entender que aquele ser ali dentro tem - e terá sempre - vontade própria. Por isso, fique atenta a médicos que não defendem o parto normal como melhor opção (se não houver complicações, é claro). Não raro, estes profissionais querem facilitar a agenda, programando partos em horários longe da madrugada ou da hora do almoço!
Você sabia?
*Na Europa e nos EUA, de 10% a 20% dos partos são cesarianas. No Brasil, este número é de 50% no SUS e até 90% na rede privada.
*O risco de infecção de uma cesárea é de 7 a 10 vezes maior do que no parto normal*Mulheres que fazem cesarianas têm o dobro de chances de sofrer de depressão pós-parto.
Respire do jeito certo
Entre as contrações:
Inspire pelo nariz, "enchendo" a barriga. Sinta o abdômen enquanto ele distende e "murcha".
Durante as contrações:
Não se usa mais a chamada "respiração cachorrinho", mas sim aquela em que a mulher respira pelo tórax, enchendo o peito. "Isto evita que o abdômen faça outro esforço além do exercido pelas contrações", explica a fisioterapeuta Cláudia Fernandes, da Academia Aquasport, de São Paulo.
Os tipos de parto: qual é o melhor para vocês?
CESARIANA
É um procedimento cirúrgico, feito a partir de dois tipos de corte: o mais comum é o Pfannestiel (pronuncia-se fanistil), transversal, na parte inferior do abdômen, acima dos pêlos pubianos. O outro, preferido em emergências, chama-se infra-umbilical e é aquele que vai da região acima dos pêlos pubianos até o umbigo.
Recuperação:
A mãe deve ficar deitada por cerca de uma semana. Depois, pode exercer tarefas cotidianas que não exijam muito esforço. Para recuperar totalmente as forças, só dentro de seis meses.
Possíveis complicações:
Deiscência (abertura dos pontos), hematoma (sangue coagulado) ou infecção na cicatriz. Embora rara, a chance de uma infecção generalizada mortal é 30 vezes maior que em um parto normal.
Quando é indicada?
● Sofrimento Fetal: Quando o bebê, por falta de oxigênio, começa a passar mal no útero.
● Desproporção Céfalo- Pélvica: Neste caso, a criança é maior do que a bacia materna.
● Vício Pélvico: Quando a bacia da mãe não tem abertura para a passagem da criança.
● Distocia Funcional: Caso a dilatação do colo do útero não evolua, recorre-se a medicamentos. Se não funcionar, faz-se a cesárea.
● Apresentação Pélvica: Quando a criança está sentada.
● Outras Indicações: Problemas de saúde da mãe ou do feto, como hidrocefalia, tumores, etc.
PARTO NORMAL
Todo o processo do trabalho de parto, desde as primeiras contrações até a saída da criança, demora de 12 a 24 horas, não sendo necessárias mais de 6 horas de hospitalização. O ideal é que a mulher já chegue ao hospital com pelo menos 5 cm de dilatação do colo do útero, momento em que a dor está bastante intensa. O período expulsivo costuma durar, no máximo, uma hora. Neste momento, a mulher, principalmente através de sua musculatura abdominal, deve fazer força suficiente para expulsar a criança de seu ventre. Caso ela fique muito cansada ou seu músculo demasiadamente fraco, é necessária interferência médica. Isto pode ser feito de três maneiras. A mais comum (muito usada em mulheres que estão no primeiro parto) é a epsiotomia, ou seja, um pequeno corte (cerca de 4 cm) na pele da entrada da vagina.
Com isso, a saída da cabeça do bebê é facilitada. Ao final do parto, costura-se o corte. Os pontos caem sozinhos após cerca de uma semana. Importante: não optar por este corte pode resultar em lesão na musculatura desta região, dependendo da força com que a criança for expelida. No caso de mulheres que já passaram por esta experiência e possuem esta mesma entrada um pouco mais frouxa, a saída da cabeça da criança acontece simplesmente "abaixando" esta musculatura, o que o médico faz tranqüilamente com as próprias mãos. Outra forma é por meio do fórceps.
FÓRCEPS
Instrumento que lembra duas colheres (colocadas uma em cada lado da cabeça da criança, dentro da vagina da mulher), tem como objetivo auxiliar na retirada do feto. Como seu uso é reservado para partos complicados, o instrumento ganhou a injusta fama de ser prejudicial ao bebê. Na verdade, se não fosse por ele, a criança correria ainda maior risco de vida. Situações nas quais é usado: quando a mãe não tem mais força para empurrar o bebê; caso o chamado "período expulsivo" - ou seja, o tempo necessário para a mãe expelir a criança - demore mais do que o recomendado; ou se a posição da cabeça do feto estiver incorreta, necessitando ser reposicionada dentro do corpo da mãe.
PARTO NO ESCURO
Para tentar diminuir o choque que o bebê leva ao nascer (afinal, imagine sair de um local escurinho, quentinho e aconchegante para uma sala de parto cheia de luzes, estranhos e barulhos!), este parto propõe um ambiente com uma temperatura de 360 C e pouca luminosidade ou ruídos, onde a criança pudesse ser recebida tranqüilamente. E, logo depois do nascimento, o bebê é banhado em água morna, lembrando o ambiente intra-uterino.
O problema deste tipo de parto é que, em um ambiente escuro, fica difícil para o médico fazer uma eventual epsiotomia ou mesmo garantir silêncio absoluto.
PARTO NA ÁGUA
Segue a mesma proposta do parto no escuro, ou seja, reduzir ao máximo o trauma da criança ao nascer (já que o feto, no útero materno, fica imerso no líquido amniótico). Além disso, a água quente facilita o relaxamento muscular da mãe, deixando-a mais tranqüila e amenizando as dores. O problema é que, como o médico não acompanha adequadamente o processo, não consegue diagnosticar possíveis complicações, como má posição fetal, por exemplo.
PARTO DE CÓCORAS
Comum em algumas tribos indígenas, este parto permite uma abertura maior da bacia óssea, facilitando a saída do bebê. Além disso, as costas da mulher ficam retas e os músculos da região lombar, relaxados, diminuindo a incidência de cãibras. Outro benefício é que a criança é "empurrada" pela mãe com mais facilidade. Mas a mulher que quiser ter este parto deve contar com um bom preparo físico. Por isso, quando a mãe e o obstetra optam pelo parto de cócoras, é necessário que haja uma preparação de fisioterapia alguns meses antes, para alongar a musculatura envolvida
Mamãe em forma
Aprenda como se alimentar e quais exercícios fazer para não ganhar mais do que os 10 kg esperados em uma gestação. Recentes estudos do American College of Obstetricians and Gynecologists provaram que 30 minutos diários de atividade física moderada aliviam a tensão, melhoram o humor, aumentam o nível de energia e ainda reduzem o inchaço e constipação. Além disso, ajudam a evitar o temido ganho de peso que atormenta a vida de qualquer grávida. Fisioterapeuta especializada em gestantes, Cláudia Fernandes recomenda uma caminhada leve durante 30 minutos todos os dias, em terreno plano. "Caso a mulher fique com a respiração ofegante, deve diminuir o ritmo e, a qualquer sinal de mal-estar (cólica, dor de cabeça, tontura), o melhor é parar a atividade imediatamente", alerta. Outro fator a ser levado em conta é o efeito do hormônio relaxina. "Produzido pelo organismo feminino durante a gestação, ele tem como função relaxar a pélvis para que a criança seja expelida com mais facilidade. O problema é que ele também relaxa todas as outras articulações da gestante, deixando-a mais propensa a torções e quedas", explica Cláudia. Após o parto, quando estiver liberada pelo médico, a mamãe deve seguir as mesmas orientações.