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Quebrando de vez o preconceito

A lei de cotas para inserção do deficiente no mercado de trabalho existe desde 1991. Porém, a fiscalização começou só agora, abrindo um amplo espaço a eles

A lei 8.213, de 1991, obriga as empresas a ter cotas para os portadores de deficiência. No entanto, a fiscalização começou a atuar apenas agora. "Como tudo no Brasil só funciona na base da cobrança, as empresas estão desesperadas atrás de pessoas portadoras de deficiência para cumprir as cotas", diz Roberto Parahyba de Arruda Pinto, advogado trabalhista e conselheiro da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp). O especialista alerta para um problema dentro da lei: "Ela não obriga as empresas a capacitar o funcionário, nem treiná-lo", avalia. Isso acaba desestimulando o empregado, pois muitas vezes ele não se sente preparado para as funções impostas.

Para que a inclusão dê certo, não basta só o funcionário se esforçar - as empresas também devem se adaptar. "O ambiente de trabalho tem que ser condizente, tanto no espaço físico quanto no treinamento, mesmo que isto não esteja previsto na lei", explica Janete Teixeira Dias, coordenadora de gestão de carreiras da FIAP*, de São Paulo. "Felizmente, algumas empresas já têm programas de inclusão social aos deficientes, com oficinas e bons cursos", diz Janete.

ENTENDA A LEI 8.213/91

A lei determina a porcentagem de deficientes na empresa de acordo com o número de funcionários que ela tem:

Mais de 100 funcionários -  2% devem ser deficientes, de acordo com a lei

200 a 500 funcionários - 3% devem ser deficientes, de acordo com a lei

500 a 1.000 funcionários - 4% devem ser deficientes, de acordo com a lei

Mais de 1.000 funcionários - 5%devem ser deficientes, de acordo com a lei

Agarre seu emprego!

Para se dar bem na entrevista e no ambiente de trabalho, confira as dicas de Janete Teixeira Dias, coordenadora da área de gestão de carreiras da FIAP, de São Paulo:

Antes da entrevista

1. Trabalhe a auto-estima. Não há nada pior do que apelar para o dó. Aja de igual para igual com os concorrentes.

2. Monte um currículo com suas habilidades e mencione sua deficiência.

3. Conheça a empresa. Pesquise bastante sobre o que a firma faz e o ramo para o qual você está se candidatando, a fim de não cometer nenhuma gafe.

4. Se for sua primeira entrevista, peça dicas a colegas que já participaram de dinâmicas ou entrevistas. Eles podem ajudá-la bastante a se preparar para a sabatina de perguntas.

Durante a entrevista

1. Mostre suas qualidades e seja educado com todos, inclusive com seus concorrentes.

2. Capriche no visual.

3. Fale de suas expectativas: o que você espera da empresa e como ela vai poder contar com você. Não precisa puxar o saco da firma, apenas seja sincera.

4. Mantenha o bom humor.

5. Se não passar, não desanime. Continue enviando currículos e mantenha-se sempre positiva, pois a sua hora chegará.

No trabalho

1. Procure socializar-se desde o primeiro dia. Conheça as pessoas, converse.

2. Pergunte aos colegas o que é bem-visto e o que é malvisto na empresa. Depois de um tempo, peça que eles a avaliem e, se ouvir críticas, não entre na defensiva.

3. Não pare de estudar.

4. Deixe claro aos colegas até onde eles podem brincar com você. Piadinhas são válidas, mas não se deve exagerar.

5. Se sofrer algum preconceito ou alguma ofensa, converse com eles. Caso a situação não se resolva, leve o caso ao RH da empresa, mantendo sempre a postura.

 

Ligia Menezes