Zíbia diz: "Não
sou só espirita!"
Aos 81 anos, com mais de 7,5 milhões de livros vendidos, Zibia Gasparetto rejeita qualquer rótulo religioso e acredita que cada um é agente da própria felicidade
A espiritualista Zibia Gasparetto é um fenômeno! Viúva e mãe de quatro filhos, tem oito netos e dois bisnetos. Suas obras psicografadas, 25 romances e seis livros de crônicas, freqüentam constantemente as listas dos dez mais vendidos do país. O último romance,
Onde está Teresa? (Editora Vida e Consciência, R$ 30), lançado no final de 2007, parece seguir o mesmo caminho dos outros e se tornar best seller. Com a entidade Lucius, responsável pela maioria de sua obras, ela segue em sua missão, sem sentir o peso da idade e com disposição para psicografar suas obras e administrar a editora Vida e Consciência. Em entrevista exclusiva à
Viva!, Zibia fala sobre religião, espíritos e como começou a psicografar.
Quando se descobriu médium?
Já estava casada há alguns anos, tinha dois filhos e acordei no meio da noite com o corpo formigando. Andei pela casa falando em alemão, língua que desconhecia. Estava consciente, mas não podia intervir no processo. Meu marido, apavorado, chamou a vizinha. Ela fez uma oração e voltei ao normal. A partir daí, ele começou a freqüentar as reuniões da Federação Espírita. Em princípio, eu não podia ir porque não tinha com quem deixar as crianças.
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Como percebeu que os espíritos queriam que psicografasse suas obras? Minha mão começou a formigar e a doer. Meu marido colocou um papel na minha frente e um lápis em minha mão. Comecei a escrever.
A senhora já escreveu alguma obra não-psicografada? O Walcyr Carrasco
(do time de autores de novelas da Globo, na ocasião – entre 1993 e 1997 – diretor da revista Contigo!) me pediu para escrever uma coluna. Dessa vez, os espíritos disseram que eu deveria fazer sozinha, que não escreveriam por mim. Depois de alguns anos, as crônicas deram origem a um livro. Cheguei a ser campeã de cartas na época. Naquela coluna, eu falava sobre mediunidade, problemas pessoais...
"Eles (os espíritas) não gostam das minhas obras porque não faço livros doutrinários. Não são livros de apologia ao espiritismo"O início com os espíritos foi difícil? No começo, precisei entender o que eles queriam. Com o tempo, a mão parou de doer e de ficar gelada. Escrevia três livros por dia. Hoje, escrevo de segunda a quarta, mas a carga horária varia. Quando estou bem e leve, escrevo bastante. Quando pára, não adianta querer, porque eles não continuam. Escrevo, no mínimo, uma hora e, no máximo, umas três horas.
Como começou sua história com a entidade Lucius?
Nossa história começou nos anos 60, com o livro O Amor Venceu. Levei cinco anos para terminar e escrevia uma vez por semana. Depois, tive que datilografar tudo. Nessa época, comecei a assistir às aulas na Federação Espírita, pois já tinha com quem deixar as crianças. Um professor de história da USP
(Universidade de São Paulo), que também freqüentava o centro, levou meu livro para ler e, coincidentemente, era quem selecionava obras para publicação em uma editora. Gostou do romance e publicou.
Quem é Lucius, o espírito de quem psicografou 25 romances? Numa encarnação, foi membro do parlamento inglês. Noutra, foi juiz na França. Mas não sei como chegou ao Brasil...
(risos) Qual a diferença entre os contatos que fazia antes e hoje? Hoje, tenho contatos com hora marcada. Os espíritos respeitam muito a minha vida pessoal, eles não interferem. Escrevo três vezes por semana. Eles diminuíram por que querem me dar descanso. Coloco uma música suave, leio a última frase em que o texto parou e ele continua. Os livros têm estilos diferentes, mas é sempre Lucius.
A senhora já alterou o conteúdo de alguma obra?
Não mexo no conteúdo. Só faço alterações para corrigir algum nome que escrevi errado ou algum problema de digitação.
O aumento na produção ocorreu porque as pessoas passaram a comprar mais esse tipo de literatura? Demorava para escrever, pois fazia tudo à mão e, depois, datilografava. Hoje, faço no computador. Desde o começo meus livros são bem-aceitos. Tenho contos ditados por vários espíritos. As mensagens deles sempre foram para fazer tudo com respeito a todas as religiões. Não queriam um livro que doutrinasse, mas que contasse histórias e deixasse cada um tirar suas conclusões.
Alguns espíritas não gostam dos seus livros, não é?
Eles não gostam das minhas obras porque não faço livros doutrinários. Não são livros de apologia ao espiritismo. Enxergo as coisas boas que os evangélicos e os católicos pregam. Não devemos julgar pela religião. Não sou só espírita, tenho outras idéias em várias áreas. Os espíritas são maravilhosos! Fui amiga pessoal do Chico Xavier. A religião é uma interpretação da interpretação divina, e, aí, entra o cérebro do homem e os pontos fracos de cada um. Falo com os espíritos, conheço tudo de espiritismo, mas não gosto do rótulo.
"Hoje tenho contato com hora marcada. Os espíritos respeitam muito a minha vida pessoal, eles não interferem"Qual é a sua religião? Sou espiritualista. Os espíritos nos ensinaram a deixar o
(lado) espiritual com eles e a trabalhar com a personalidade dos seres humanos. Nossas obras mostram como você pode melhorar seu padrão mental.
Foi a senhora quem descobriu a mediunidade do seu filho, Luiz Antonio Gasparetto? A mediunidade dele foi espontânea, aos 13 anos de idade. Aos 14, 15 anos, ele já fazia aconselhamento de pessoas. No começo, fiquei com receio por ele ser homossexual. Mas me ensinou a ver a vida de outra forma e tem ajudado muitas pessoas. Hoje, agradeço por ele ser como é.
Muita gente a critica por ganhar dinheiro com os livros... Faço isso por orientação dos próprios espíritos. Eles queriam que eu abrisse uma livraria, depois, uma gráfica. Claro, tiro meu salário da empresa, moro em uma casa que meu marido comprou há mais de 30 anos. Mereço um salário pelo meu trabalho, não faço só os livros, mas administro essa empresa. Tenho uma vida boa, mas simples, sem grandes despesas.
Acredita em O Segredo? Você pode ser seu próprio agente da felicidade e conquistá-la ao descobrir suas crenças. Sociedade, escola e pais ensinam coisas porque ouviram falar e não porque foram verificar. Essas crenças erradas atraem coisas ruins, dramas, espíritos ruins e pessoas negativas.
Como as pessoas podem colocar a lei da prosperidade em prática?
A conquista da prosperidade não abrange só a parte financeira. A pessoa não é próspera só nas finanças, mas nos afetos, nas amizades... Quem ganha dinheiro por meio das coisas erradas não tem saúde nem vida afetiva equilibrada. A prosperidade real é alcançar a felicidade.