Na semana passada, o ator Edson Celulari estreou em São Paulo, no Teatro Shopping Frei Caneca, a peça "Dom Quixote de Lugar Nenhum". Dois dias antes, ele recebeu a imprensa para uma coletiva no mesmo local onde apresentou a livre adaptação de Ruy Guerra, com direção de Ernesto Piccolo. A versão brasileira do espetáculo transporta para o nordeste brasileiro o clássico espanhol de Miguel de Cervantes. Após a coletiva, Edson bateu um papo rápido com Viva! sobre a nova investida teatral, sua predileção por personagens fortes e os critérios que utiliza na hora de escolher um trabalho.
O espetáculo Dom Quixote brinca muito com o sonho e a realidade. Para você, hoje, o que é um sonho e qual é a realidade mais difícil?
Acho que o sonho maior é você acreditar que as coisas podem se modificar. O ser humano tem que conhecer a capacidade de cair e se levantar. O país precisa aprender isso, criar critérios mais adequados e a voz da população é o precioso voto na escolha deste ou daquele governante. Todos nós sonhamos, todos nós queremos. Então, é importante vasculhar destes tantos sonhos qual é o mais importante, acreditar nele e correr atrás.
Com o Dom Quixote, você não quis fazer um musical, mas faria um?
Olha, é tão difícil.... O pior momento de um ator, hoje, no mundo, é quando ele escolhe fazer um musical (risos), porque não é mole... Digo um musical: dançando, cantando e representando. É muito difícil! Dançar, não vou dançar nunca porque não tenho essa formação e, depois, com a idade que estou, 49 anos, vou aprender a dançar o que? Só se for bolero! Até gosto de dançar... Para cantar até tenho afinação, faço algumas poucas aulas e canto no espetáculo uma coisinha pequena, mas é complicado. Se você me der três páginas para falar, tenho um material dentro de mim que sei como resolver. Agora, se você coloca uma música de duas linhas e uma melodia, tenho que trabalhar uma semana para fazer aquilo.
A Claudia (Raia, mulher do ator) nunca chamou você para fazer um musical?
A Claudia especificamente não, mas várias pessoas já me chamaram, inclusive para fazer a versão musical do Dom Quixote, que foi feita há muitos anos pelo Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo, fazendo o Sancho Pança. Mas revi o texto, assisti a uma montagem há dois anos na Broadway, mas é romantizado, aquela coisa.... Queria algo mais contundente e conseguimos.
Você fez Calígula, Don Juan e, agora, Dom Quixote - todos personagens fortes. É uma predileção?
Acho que eles me perseguem. Eu acredito neles, mexem comigo, enfim, acaba sendo uma necessidade fazer este ou aquele personagem, falando sobre esse ou aquele tema, isso é muito bacana para mim, me motiva, me tira de casa, me tira do sério e me faz pensar coisas bacanas como artista.
Você está escalado para a próxima novela das 19h. Vai dar para conciliar com a peça?
Quero ter a certeza de que vou conciliar. Vai dar certo. A novela estréia em fevereiro de 2007 e a peça vai até março. Então, vou pegar um pequeno período de pré-produção da novela junto com a temporada já no Rio, em janeiro.
Seu critério para escolher um personagem de teatro, cinema ou televisão se modifica dependendo do veículo?
A diferença básica é a seguinte: No cinema e na televisão, sou convidado e posso aceitar ou não fazer aquele personagem, tenho contrato com a Rede Globo e posso dizer não, tenho um diálogo muito saudável com a emissora. No teatro, normalmente, eu escolho e é muito bacana, este é o diferencial.
E você tem que bancar a produção?
Quase sempre, a não se que eu encontre - e estou atrás - produtores...
Serviço:
Quando: em cartaz até o dia 30 de setembro, de sexta a domingo.
Onde: Rua Frei Caneca, 569, Shopping Frei Caneca, 6º andar (www.teatroshoppingfreicaneca.com.br)
Horários: sexta, às 21h30; sábado, às 20h e às 22h30; domingo, às 18h.
Duração: 100 minutos
Gênero: comédia de cordel
Capacidade: 620 lugares
Preço: R$ 80
Classificação etária: 14 anos