Poderia muito bem ser mais um bar com pista de dança, mesas e poltronas para seus freqüentadores. O breu típico das casas noturnas, o show musical no telão e os garçons animados não fogem à regra de uma balada qualquer. Mas algo por trás dessa estrutura motiva até 200 casais a se reunirem quase todas as noites em uma das cerca de 50 casas de suingue paulistanas: o sexo.
Se você nunca foi, já deve ter ouvido falar sobre os locais em que os casais trocam de pares para transar. Quer saber o que acontece nesses lugares? Até por volta da 1h da manhã, praticamente nada. À primeira vista, points como o Enigma Club, de São Paulo, por exemplo, parecem casas noturnas convencionais, a não ser por uma garota com roupas ousadas ou por outra que ensaia uma dança insinuante.
Há um pouco de tudo: a turma de conhecidos que se encontra e comemora a reunião, pares tímidos num canto observando o movimento e outros casais mais saidinhos que só querem saber dos amassos. Além de mulheres andando pra lá e pra cá e raros homens desacompanhados.
Tem mulheres lindas, jovens, gordinhas, ousadas, discretas... O mesmo vale para homens: sarados, donos de barriguinha de chope, carecas. Estão todos lá, numa verdadeira miscelânea. Tudo muito tranqüilo, até que o DJ anuncia a chegada de go go boys, dançarinos de strip-tease da casa. Aí o bicho pega...
Atrás daquela porta
Rapazes usando fantasias provocantes na pista são a senha. Enquanto os parceiros ficam nos sofás, só de olho, as mulheres se entregam à dança. Algumas ficam nuas; outras sobem no balcão do bar e dão showzinho paralelo.
Por incrível que pareça, respeito é palavra de lei nesse território: ninguém faz o que não quer. Os go go boys só despem quem der sinal verde. Todos os cantos da casa são assim: não há nada obrigatório.
De repente, a pista esvazia. A temperatura esquenta nos fundos da casa - surpresa grande para os olhos desacostumados. Casais iniciantes, pela primeira vez no local, olham os "liberais", que ficam em salinhas isoladas por vidro ou treliça, quarto gigante e labirinto escuro. Algumas casas têm até sauna e piscina!
Pelos corredores e espaços reservados há cenas variadas. Casais transando (e exibindo-se); sexo a três e várias pessoas rolando sobre uma cama gigante, no melhor estilo ninguém é de ninguém. Tudo, claro, com platéia cheia.
Casados há seis anos, a advogada Claudia*, 33, e o empresário Alê*, 37, por exemplo, dizem gostar de freqüentar lugares como o clube Enigma. Contam que a experiência esquenta o sexo, mesmo eles não se envolvendo nas trocas.
Já a vendedora Sofia*, 34, e o gerente Carlos*, 36, juntos há oito anos, costumam aderir ao troca-troca. Assim, afirmam, evitam o marasmo na relação. Os dois garantem ser apaixonados. A secretária Karla*, 25, até carregou o namorado noite dessas. Mas, como o moço não aprovou o ambiente, continua freqüentando sozinha e "divertindo-se"
com os amigos feitos por lá. Sem ele saber!
Regras do jogo
:: Só entram casais. Entretanto, há dias em que mulheres desacompanhadas são bem-vindas. O mesmo acontece com homens solteiros, mas eles chegam a pagar cinco vezes mais do que um casal.
:: Ir a uma casa de suingue não significa aderir à prática. Ao contrário, só se entrega à luxúria quem quer.
:: Dificilmente alguém vai lhe abordar de maneira tão direta a ponto de constrangê-la. Na maioria das vezes, outra mulher se aproxima e insinua o contato. Se não quiser nada, basta acenar que não tem interesse e sair de perto.
Vá!!!
Se quer apimentar a relação
Se gosta de observar ou ser observada
Se está aberta a novas experiências
Não vá!!!
Se tiver crises de ciúmes incontroláveis
Se sua auto-estima andar abalada
Se o passeio não for desejo comum dos dois
Diga aí:
* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.
* Agradecimentos: Enigma Club - www.enigmaclub.com.br