No dia 7 de agosto do ano passado, Alessandra Maestrini, 31 anos, estreou no humorístico Toma Lá Dá Cá, da Globo, e se tornou conhecida de uma hora para outra. Sua personagem, a impagável Bozena, uma empregada paranaense que termina a maior parte de suas frases com a expressão "daí", agradou em cheio. Tanto que ela é reconhecida nas ruas e as pessoas já se aproximam dela rindo. "Entendo perfeitamente, daí", diz brincando a atriz. Se é novata na TV, Alessandra já tem uma longa estrada no teatro. Participou de nove musicais, inclusive A Ópera do Malandro em Concerto, no papel de Lúcia, e ganhou elogios do próprio autor, Chico Buarque. Acompanhe aqui a entrevista desta artista que faz rir, dança e canta pra valer.
tititi - Quem a convidou para participar de Toma Lá Dá Cá?
Alessandra Maestrini - Fiz uma participação na novela A Lua Me Disse, com a Débora Bloch, e ela me indicou para o Miguel Falabella. Ela insistiu e acabei entrando no programa.
Como você criou a Bozena?
O Miguel me disse que ela seria do interior do Paraná, engraçada, mal-humorada e esquisita, tipo a governanta da família Adams. Eu procurei preencher esses requisitos.
E Pato Branco existe mesmo?
Existe, sim, eu fui até lá com o Video Show. É uma cidade bonita, organizada, até erradicou o analfabetismo. O prefeito me disse que agora é mais bem recebido em Brasília por causa da Bozena (risos).
E a expressão "daí" no final das frases, como rolou?
Eu precisava fazer uma pesquisa de sotaque e liguei para um grupo de dança folclórica do Paraná. A pessoa que me atendeu, escutou a minha história e disse: "É claro que eu te ajudo, daí!" Eu fiquei esperando que ela continuasse a frase, mas nada... Seguimos conversando e ela repetiu o daí. Na terceira vez, eu perguntei:
"Mas o que é que você quer me contar que está tão difícil, você diz 'daí' e depois muda de assunto?" Ele riu e me explicou que o daí quer, justamente, dizer que a frase foi encerrada. Cheguei ao ensaio repetindo o daí e todo mundo gostou. Logo o Miguel já começou a incluir no texto.
O programa está quase fazendo um ano. Como é a repercussão da sua personagem?
É maravilhosa, vem muita gente falar comigo, pessoas de todas as idades, de grupos sociais diversos. Muita gente ri quando me reconhece e eu adoro porque sei que estão rindo do meu trabalho, não de mim.
E como é trabalhar com o pessoal de Toma Lá Dá Cá?
É uma bênção, são todos muito generosos e o Miguel Falabella é divertido, quase insano. Trabalhar com ele é um espetáculo à parte porque ele coloca mil piadas em suas falas, às vezes tira sarro da sua cara num caco, faz uma piada interna que tem a ver com alguma história que rolou com alguém do elenco. É um humor em camadas.
Você é de Sorocaba, no interior de São Paulo. Como foi parar no Rio?
Vim com minha família, tinha só 2 anos. Aos 16, me submeti a um teste para participar de um musical, mas não passei e fui fazer um curso de teatro e música na University of Evans Veille, nos Estados Unidos. Ganhei uma bolsa e fiquei por lá nove meses.
Que bacana conseguir uma bolsa como essa fora do Brasil.
Foi difícil, mas meu inglês é legal. E isso porque meu pai (Emílio Maestrini) é americano e sempre me ensinou a língua.
O que seu pai faz?
Ele é engenheiro de mineração, trabalhou até na Nasa e minha mãe (Noêmia Maestrini) já foi jornalista e agora faz tradução. Tenho uma irmã por parte de pai, a Tracy, 38 anos, que é enfermeira e um irmão, o Andrew, 34, que trabalha com seguros e me deu dois sobrinhos. Eles vivem nos Estados Unidos.
E você mora sozinha no Rio?
Moro. E adoro ler, andar de bicicleta, dançar em casa e conversar com meus amigos.
Está namorando?
Não. Recentemente, terminei um relacionamento com o maestro Guilherme Bernstein (da orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro). Durou o que tinha que durar e ele é um príncipe. Agora estou saindo, vendo gente, fazendo charminho por aí (risos).
De onde vem seu gosto pelo humor?
A gente nasce fazendo humor e vai refinando. É uma forma de olhar a vida, quase um desespero... É o famoso só rindo. A saúde, a liberdade, a força estão em rir para superar.
Você canta e está gravando um CD, não é verdade?
Eu canto e faço musicais há dez anos. Tenho uma voz de soprano que pode passear por vários estilos. O CD tem jazz e bossa nova e é produzido pelo Alexandre Elias. E, como é meu e dele, vai se chamar Alê. Quero lançar o CD em breve, fazer shows e viver o máximo de experiências possível.