É possível virar o jogo, sim
Sempre achei Jackson Antunes um tremendo ator e, claro, muita gente tem a mesma opinião. E ele é um dos melhores do nosso país, de verdade. Tanto que fez inúmeros papéis marcantes na TV e no cinema. Mas, em A Favorita, tem se superado na pele do machista e inescrupuloso Leon. O intérprete é tão bom e o personagem tão medonho que a gente sente muuuita raiva dele. E, claro, contracenar com a fantástica Lília Cabral deve ser um presente para qualquer artista.
Daí o show que os dois têm dado em cena. Mas é muito importante refletir sobre o drama vivido pela Catarina de Lília. Nos próximos capítulos, o marido canalha vai até bater nela na frente dos filhos e mantê-la prisioneira dentro de sua própria casa. Aliás, em Pantanal, do SBT, temos outro caso grotesco: o de Maria (Ângela Leal), chamada de bruaca, traída e humilhada o tempo todo pelo crápula do companheiro, Tenório.
Diga-se de passagem, feito também de forma brilhante por Antônio Petrin. Infelizmente, o pesadelo de Catarina e Maria, submissas e sofridas, reflete o terror ainda enfrentado por mulheres não só no Brasil, mas no mundo. E aí nos perguntamos: o que faz alguém passar por tamanho castigo? Por que não começar uma vida nova bem longe do monstro? Por que sacrificar a própria felicidade em nome de uma relação doentia e que só traz a dor? O problema é: muitas mulheres padecem tanto que sua auto-estima vai parar no chão, deixando-as cada vez mais sem força para reagir.
Aí o tempo passa, elas acreditam no que os mentirosos dizem... que são feias, sem graça, que só servem para serem pisadas... essas coisas horríveis que a gente sabe que existe. Porém, em breve as duas novelas darão belos exemplos de que é possível reverter o jogo, sim. Tanto Catarina quanto Maria ganharão coragem para emergir, dar um chega pra lá em seus carrascos, olhar no espelho, enxergar uma nova imagem e, cada uma do seu jeito, encontrar a paz. Que elas realmente inspirem e ajudem muitas outras Catarinas e Marias a retomarem a própria vida, sem violência de todo e qualquer tipo. Um beijão e até já, já.