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Crônica da Xênia

Tenha força, Catarina!

Em A Favorita, a personagem de Lilia Cabral sofre com o marido, mas o pai dela vale ouro


Gente, é incrível como ainda existem mulheres com vocação para ser saco de batatas, dessas que não reagem quando o marido dá um pontapé. Ele dá o segundo, ela aceita — e ele segue pela vida afora, chutando aquele saco de batatas que atende pela condição de esposa. Digo “pontapé” no sentido figurado: as humilhações verbais machucam tanto quanto pancada e, com o tempo, podem se transformar em agressões físicas.

É o que certamente acontecerá com Catarina, personagem de Lilia Cabral na novela A Favorita. Aqui cabe um comentário — ou melhor, um aplauso intenso — a essa extraordinária atriz que se encontra num momento iluminado da carreira. Ela encarna com perfeição essa mulher que é submissa, medrosa e conservadora não por uma questão de certezas, mas por medo do novo, de encarar a vida sem um homem ao lado.

Conheço algumas Catarinas. Iguais à personagem, são como sombras, como se não existissem para seus maridos. São utensílios domésticos, mulheres de cama e mesa — mais de mesa, claro! Conheço Catarinas de todas as classes sociais: as de classe alta servem de saco de batata de uma maneira distinta, mas a humilhação é a mesma.

Pelo olhar, Catarina mostra que dará uma virada. Ela vai criar coragem para chutar o traseiro daquele covarde do Leonardo (Jackson Antunes) e começar uma vida de verdade, com alguém decente e que a respeite.

Agora, cá pra nós, que pai é aquele? Quem não queria um assim? Tarcísio Meira, o Copola, dá um show de amor à vida com esse personagem tão humano. Para ajudar a filha, ele até escreve bilhetes fictícios de amor para elevar a auto-estima dela. Coisa linda... ele devolve à filha a vontade de sonhar!



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27/07/2008 - 14:14



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