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Crônica da Xênia

O circo que o povo faz

Algumas pessoas são tão pequenas que aproveitam as tragédias para obter a glória

O ser humano é capaz de atos da maior grandeza, mas também das maiores baixezas. Partindo desse princípio, pergunto à você: em que categoria classificaria as pessoas que ficam de plantão na porta das delegacias, gritando e pedindo justiça, quando acontece um crime midiático?

Como perguntar não ofende, por que elas não se mobilizam do mesmo modo pelas crianças e idosos que morrem nas filas dos hospitais? E mais: por que diante das Assembléias Estaduais e Câmara de Vereadores não há grupos espontâneos, sem o cabresto dos sindicatos, brigando por seus direitos?

Será que eu ouvi alguém dizer que o povo sozinho não sabe se organizar? Ora, mas para se aglomerar na porta de delegacia eles servem? O circo armado no caso da menina Isabella foi semelhante ao do caso Suzane von Richthofen. Dessa vez, teve até gente que veio de Mato Grosso! E o que dizer do “parabéns a você”? Bolo, cantoria... e a crueldade de desejar muitos anos de vida.

Quer saber? Vou abrir meu coração: detesto essas pessoas, são um punhado de gente mau-caráter. Gente de vida miúda, que não tem sentimentos. Na tragédia, buscam dois minutos de glória. São como mariposas: correm para a luz da televisão. Não estou criticando gente de poder aquisitivo menor, que as pesquisas cruelmente classificam como “classe D”. Eu desprezo, sim, gente de alma pequena, que grita por justiça mas, com um vacilo da polícia, seria capaz de matar os suspeitos sem piedade.

Note: eu disse suspeitos, não criminosos confessos. Mais uma pergunta: essas pessoas não têm o que fazer? Não podem ocupar suas vidas com algo mais proveitoso? Por exemplo: amar o próximo como a si mesmo, ainda que seja um criminoso.



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30/06/2008 - 17:51



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