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O escândalo envolvendo o padre Júlio Lancelotti demonstra que nossa sociedade está muito longe de ser evoluída...
Gente, uma das coisas que mais temo na vida é ser acusada injustamente. Pior é quando a acusação deixa dúvidas eternas. É o chamado linchamento moral. Vou abordar um tema que pode parecer superado, mas não é. Quando um ser humano, sem que se tenha certeza de sua culpa, é dilacerado moral e publicamente, o assunto continua interessando.
Você, minha cara leitora, certamente vem acompanhando o escândalo que envolve o padre Júlio Lancelotti, conhecido por sua luta pelas crianças portadoras de HIV e pelo povo que mora nas ruas. Padre Júlio denunciou à polícia que estava sendo extorquido por um ex-interno da Febem, o qual ele havia ajudado.
Primeiro, declarou ter pago R$ 50 mil, depois disse que era R$ 150 mil. E o ex-interno afirma que recebeu R$ 600 mil do padre. E com grave denúncia: receberia o dinheiro por favores sexuais. É evidente que ninguém se deixa extorquir se não tem culpa grave escondida. Ninguém vai matar para manter em segredo uma culpa que não existe. Alguma coisa o ex-interno sabe.
Mas o que me assusta é que, quando queremos destruir moralmente alguém, visamos sempre o sexo. E a sociedade ainda se diz evoluída... Mas longe disso! A primeira justificativa do chantagista foi a mais esperta. Todo mundo acredita num escândalo sexual. Achamos que todos têm lá suas sujeiras debaixo do tapete.
Quando alguém levanta a ponta e expõe a intimidade alheia, o lado sádico fala mais alto que o solidário e dizemos: antes ele do que eu. Não me simpatizo com o padre Lancelotti. Mas dou-lhe o benefício da dúvida. Acho que a extorsão (ou o que a motivou) envolve uma terceira pessoa a quem o padre Júlio está escondendo.
Mesmo que se prove a inocência, a dúvida ficará. A calúnia é como um saco de penas jogadas ao vento; jamais conseguiremos colher todas de novo.