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Crônica da Xênia

Meu nome é Juvenal Antena


Foi na feira livre que percebi o sucesso de Antônio Fagundes, na novela Duas Caras. Lá é o melhor lugar para saber a opinião do povão que nunca erra no Ibope

Gente, eu adoro bater perna na feira do meu bairro, principalmente quando está fazendo um lindo dia de sol. Ponho um vestidão bem largo com sandálias de surfista verde-limão e lá vou eu me sentindo participante do movimento da vida. Porque na feira livre, mistura-se todo tipo de gente e o bairro mostra a sua cara.

Há 30 anos eu moro no mesmo prédio e, em quase todo esse tempo, venho freqüentando a minha feira. Adoro ver a fartura de verduras fresquinhas, a riqueza de legumes, frutas, peixes e frangos. Adoro toda aquela zorra dos feirantes e o jogo da pechincha (e, às vezes, mesquinhez) dos fregueses.

Meu olhar vai fotografando cuidadosamente todo aquele movimento e as pessoas em seus gestos mais sutis: o jovem gay que escolhe cuidadosam ente os ingredientes que vai usar no jantar que fará para o seu namorado (ele me contou, viu!); as peruas que, às oito horas da manhã, já estão todas penteadas e impecavelmente maquiadas; as empregadas carregando, emburradas, os carrinhos das patroas; os meninos que vendem alho e limão; o baiano que faz deliciosas tapiocas; e as japonesas fofoqueiras.

Sim, japonesas fofoqueiras, mas eu posso explicar melhor. O bairro onde moro parece ser o preferido por japoneses que vêm ao Brasil para trabalhar em empresas por um período de dois anos, em média. Enquanto eles trabalham, as mulheres se esbaldam na feira. Principalmente com as carnes, que é artigo raro no Japão. É uma loucura, elas não falam uma palavra em português e eu não entendo “necas” de japonês, mas pela cara que elas fazem, eu sei exatamente o que elas estão falando! Se estão indignadas, ou se estão falando mal do marido. Fizeram cara de vítima? Então, a queixa é contra os filhos. Deram um olhar mais malicioso? Com certeza, estão falando mal da vida alheia.

A feira livre é uma explosão de cores vibrantes, onde os feirantes, com seus gritos criativos, fazem, muitas vezes, poesia e sabedoria. O espaço aqui é muito pequeno para colocar toda a vida que vibra em uma feira brasileira. Mas é lá também que eu sei quando um programa ou uma novela vai emplacar. Não tem pesquisa melhor do que essa. Quando um feirante, para chamar a atenção da freguesia, começa a repetir bordão de determinado programa, não tem erro. É sucesso na certa!

Sexta-feira passada, quando eu mal tinha colocado meus pés na feira, já ouvi um grito: “compra freguesa, que esta barraca é do Juvenal Antena”. E assim foi por todos os lados. Quando já estava indo embora, ainda ouvi: “acredita freguesinha, meu nome é Juvenal Antena”. Não resta dúvida, Antônio Fagundes, na novela Duas Caras, está na boca do povo mais ardido e sincero, o povo da feira, que nunca falha no Ibope!



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09/06/2008 - 15:01



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