
Recordar o passado me faz bem. Ainda mais quando lembro dos valores que eram dados às crianças. Infelizmente, o mundo mudou...
Gente, nesta coluna, estou com vontade de abrir o baú de recordações e fazer um pouco de hora da saudade. Como diz Paulinho da Viola: “Não sou saudosista, não moro no passado. É o passado que mora em mim.”
Essa nostalgia toda é por causa da novela Eterna Magia, época em que vivi, e, certamente, muitas leitoras viveram também. E para outras tantas, é como se fosse um faz-de-conta, porque aquele mundo acabou.
Olhando o passado, vejo como é assustadora a mudança! Vou passar aqui para a leitora mais jovem um costume daquela época, aliás, acho até
que era um valor.
Você já percebeu que os meninos, personagens de Eterna Magia, andam sempre de calças curtas? Pois bem, naquela época era inadmissível um garoto usar calças compridas. Os meninos nem ousavam pensar nisso! Quanto mais pedir aos pais que comprassem uma, que, aliás, nem existia à venda.
Dirá a leitora: “Mas que ignorância!”. Minha cara, não se precipite nesse julgamento. Passar da calça curta para a calça comprida era um ritual. Começava com o menino engrossando a fala, depois o surgimento dos primeiros pêlos na perna até mostrar a penugem fina sugerindo um futuro bigode.
A partir daí, o menino passava pela transição de criança para homem e recebia a primeira calça comprida, quase sempre com um mínidiscurso do pai, passando valores sobre como ser um homem digno, que terminava com a frase: “Meu filho, saiba honrar as calças que veste.”
Hoje, em meio a tanta canalhice e indignidade, achei bom contar para minha leitora jovem algumas coisas do tempo em que vivi. Lembro-me de um dia em que “roubei” do armazém um pão de mel. Cheguei em casa com ele escondido dentro do saco de milho para as galinhas.
Quando enfiei as mãozinhas para pegá-lo, a mão forte da minha mãe chegou primeiro. Daí ela levou-me ao armazém, me fez devolver o doce com um pedido de desculpas. Nunca mais minha mãos pegaram nada que não me pertence... Será que estou certa?