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Crônica da Xênia

Crônica da Xênia

Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve

Não poderia haver melhor escolha para interpretar o Hino Nacional na abertura dos Jogos Pan-americanos

Gente, aceitei resignadamente a chatice de assistir a festa de abertura do Pan. Meu Jesus Cristinho, a que temos que nos submeter? E o pior, a festa atrasada deixou Galvão Bueno livre, leve e solto para encher nosso saquinho com sua torneirinha de asneiras aberta.
Mas vamos em frente, pois afinal sempre pinta alguma coisa interessante. Para mim, o momento sério e emocionante foi ouvir Elza Soares cantando o hino nacional. Voltando um pouco no tempo, Fafá de Belém foi muito criticada quando na campanha das Diretas Já ousou cantar o Hino Nacional. Chamada de oportunista e de pé frio, Fafá de Belém ficou muito magoada, mas seguiu em frente.
Diferenças das duas interpretações: Fafá interpretou com um olhar de esperança, com aquele brilho e confiança próprio dos jovens. E como todo jovem idealista, ela acreditava em um país melhor. Acreditava que aqueles políticos que a rodeavam não mentiriam na sua missão. Elza Soares, uma mulher de muitas lutas e muitas derrotas, de muito levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, cantou com um olhar duro, não sem esperanças, mas com os pés no chão. Elza conheceu a mão de ferro do poder, quando se uniu a Mané Garrincha, que era casado e pai de uma penca de filhas. Encurtando a história, ambos tiveram que deixar o país para continuarem vivos.
Elza Soares que veio da favela, de lata d’água na cabeça, mãe aos 14 anos, caminhou durante anos ao lado de uma velha conhecida, a fome, sabe muito bem o hino de que país está cantando. Se a intenção dos organizadores foi colocar alguém para cantar o hino nacional com a cara do Brasil, ninguém melhor do que Elza Soares. Mulher negra, ex-favelada, setenta anos, caminhando por este país que reconhece muito pouco o seu talento. Voz rasgada, olhar duro, corpo reto e jeito de quem diz “é isso aí, apesar dos pesares você não me derrotou. Apesar da fome, do preconceito, da falta de respeito pela mulher negra, você não me derrotou! As dores me fizeram forte para estar nesse palco, e de coração aberto, cantar: Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve.”



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06/06/2008 - 22:51



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28/04/2008 - 14:49



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04/12/2007 - 21:39



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09/11/2007 - 18:37



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13/09/2007 - 18:11



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02/09/2007 - 21:47



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27/08/2007 - 00:36



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23/08/2007 - 15:46



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23/08/2007 - 15:45