Todos nós, habitantes da Terra no século 21, precisamos aprender a lidar com um novo problema – o aquecimento global –, fruto de velhos hábitos que ainda permanecem – o desperdício de recursos naturais. “As mudanças climáticas são o principal problema que afeta o planeta”, confirma Rachel Biderman, coordenadora dos Programas de Sustentabilidade Global e Consumo Sustentável do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.
A Revolução Industrial, que norteou a economia das nações a partir do século 18 e levou a maioria delas ao capitalismo, trouxe muitas facilidades. A principal delas foi a substituição da força humana por máquinas. Só que, para mantê-las em funcionamento, iniciou-se um uso sem grandes preocupações de fontes “sujas” de energia, como petróleo, carvão e gás natural.
Isso vai além da poluição. A queima de combustíveis não renováveis, isto é, daqueles que só se usa uma vez, é a grande vilã do aquecimento global. “Ao longo do tempo, o uso desses combustíveis foi intensificado. Com isso, se produziu uma quantidade de gases maior do que a Terra pode absorver”, explica Rachel Biderman.
Para entendermos melhor o que acontece com o planeta, a especialista faz a seguinte comparação: “Imagine que o efeito estufa seja um cobertor que envolve a Terra. O que ocorre é que, com a emissão de gases em excesso, esse cobertor está ficando cada vez mais grosso”, exemplifica ela.
Água, um bem muito precioso
Outro fantasma que contribui com o aquecimento global – e também se alimenta dele – é o desflorestamento. Na Amazônia, o calor em excesso faz as folhas das árvores localizadas na borda da floresta caírem, aumentando o risco de queimadas. O calor das queimadas reduz a possibilidade de chuvas na região, diminuindo também o volume dos rios.
O aumento da temperatura média no mundo provoca ainda o derretimento das calotas de gelo nos pólos e das geleiras no topo das cadeias montanhosas. Se nada for feito por nós todos, o nível dos oceanos poderá aumentar de tal forma que inundará ilhas e áreas litorâneas, inviabilizando a vida humana em muitas áreas.
Em 2002, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que mais de 2,7 bilhões de pessoas sofreriam com a falta de água em 2025, caso os níveis de consumo se mantivessem. Uma das causas são as mudanças climáticas no planeta.
Até o gado prejudica o clima
Se tomarmos como exemplo apenas a produção de carne bovina – o Brasil é o maior exportador mundial do gênero –, temos uma boa medida dos problemas climáticos que vivemos atualmente. “Muita gente não sabe, mas a carne bovina é uma grande vilã nessa história. Durante a ruminação, os bois produzem gás metano, que vai para a atmosfera e piora o efeito estufa”, diz Rachel Biderman.
“A forma como o gado é criado no Brasil precisa ser melhorada, alterando-se a dieta dele para que produza menos gás metano”, prossegue a especialista. “Ao mesmo tempo, se as pessoas diminuírem o consumo de carne vermelha, o problema vai diminuir”, defende ela.
A saúde da Terra depende de nós!!!
Não dá para querer mudar a ordem do planeta de uma hora para a outra, não é mesmo? Mas, como você pode ler na edição impressa de AnaMaria desta semana, é preciso tomar medidas urgentes. Sejam quais forem essas medidas, uma coisa é certa: para estabilizar os níveis de CO2 na atmosfera a níveis seguros amanhã, o trabalho precisa começar hoje.
Portanto, sem essa de pensar: “já que a Terra está doente, vamos aproveitar o que resta dela”. Nada disso! É difícil prever o que acontecerá com o planeta num futuro próximo, até porque muitos estudos estão sendo feitos e não há consenso entre os cientistas. Na dúvida, porém, o melhor é não maltratar a Terra. Conscientização é a palavra!
Para saber mais
• Introdução à Mudança Climática Global: desafios atuais e futuros, de Rachel Biderman (Ipam - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia): Você pode fazer o download gratuito do livro no site
www.ipam.org.br/publicacoes/
• O Dia Depois de Amanhã, de Roland Emmerich (EUA, 2004): o filme é uma ficção científica sobre as alterações climáticas. Disponível para compra (R$ 29,90) e locação (verifique o preço na locadora da sua preferência).
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http://planetasustentavel.abril.com.br: portal que reúne todas as revistas da Editora Abril em torno da sustentabilidade e debate questões relativas à saúde do planeta.